Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Salvador Sobral

Maio 15, 2017

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Muito tem acontecido lá fora, no mundo real.

Pouco tempo tem havido para vir aqui plantar e procriar.

Pedem-me os cultores para tecer considerações sobre o Sobral.

Fácil.

Como a carneirada rendi-me, sempre na primeira fila, primeiro para aplaudir e depois para criticar.

Quer o mundo em rede que sejamos rápidos, as caixas e os comentários, são como duelos – mortais.

Matar ou morrer.

Amar, insistiram os Sobral.

Aqui na Ruteorias respeitamos a natureza, cultivamos conforme o tempo.

Tem sido um festival de opiniões, uma praga de ideias e soluções, hoje, qualquer fraseado engraçado, como ervas daninhas, facilmente se torna viral.

Criativo, original, genuíno.

Simples, Portugal:

Salvador Sobral, eu sou.

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Teatro

Março 28, 2017

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Dois homens todos nus.

Brilhante interpretação deste texto escrito no original por Sébastien Thiéry.

Miguel Guilherme esteve no seu melhor, no ensaio solidário.

Procurem, os meus leitores, saber do que trata a peça e vão lá ao Teatro assistir a um cocktail de géneros muito bem esgalhado.

Não se ficou o autor pela farsa, tão nosso conhecido género em toda a filmografia, aliás, Miguel Guilherme é o actor que ousou ser Anastácio de António Silva.

Aqui ele consegue, como sempre, uma personagem provável, para o absurdo da comédia de situação criada nesta complexa peça.

Na minha Ruteoria somos levados pela mão numa visita guiada ao itinerário moralista/burguês da sexualidade.

É brilhante! No Villaret.

Já numa outra sala, continuando a visita pela sexualidade, no Teatro Nacional D. Maria II, fui ver um outro “ensaio”, de Mónica Calle.

Tinha muitos corpos nus despidos de personagem, não querendo estender a todo o elenco, vou focar-me na Mónica Calle:

Ensaio para uma cartografia tinha tudo para ser uma performance, falhou em quase tudo.

O discurso no princípio da peça, não foi um tiro no pé.

Foi um suicídio! Digo mais.

Foi um homicídio seguido de suicídio, um crime.

Um criador que explica a sua obra a priori retira a liberdade ao espectador, é um “mestre ignorante”.

Na minha experiência pessoal, de “espectadora emancipada”, esta peça não me engajou, não serviu portanto o propósito da arte. Não estabeleceu uma ligação.

Mónica Calle quebrou essa possibilidade, ofendeu até a sua  primeira referência, Ida Rubinstein.

Se me queria seduzir, como espectador, pecou por excesso.

Se me queria conquistar como mulher pecou por defeito.

É um espectáculo com pormenores que até poderiam ser interessantes do ponto de vista artístico, mas que por culpa da cabeça perturbada de Mónica Calle, transformaram-se em pormaiores aborrecidos e difíceis de aceitar.

Esta obsessão foi compulsiva, na repetição destruiu aquilo que Bolero de Ravel criou com originalidade – o incansável!

Sinto contudo uma certa simpatia por quase todas as actrizes em palco cuja ética e performance serviram a arte.

Merda

 

Salvador

Março 16, 2017

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Bem aventurado mundo digital.

Estivéssemos na idade anterior e teria sido todo um outro festival.

Aproveito o bico do naperon para tapar a câmara do meu LCD Samsung, não vá o Big Brother americano espiar-me.

Já não tenho a espanhola a dançar e a tocar castanholas de resto parece tudo de volta a 1984.

A Lena D’água a cantar, olé!

Eu a ver o festival, por acaso dos acasos quando liguei a TV estava o Salvador a cantar, assim que o ouvi, eu que sou dura de ouvido, pensei logo, vai ganhar!

Agora vou recorrer à analepse.

Um dia ao ouvir rádio ouvi também uma música que gostei, fiz o Shazan e era a Luísa Sobral.

Curti a música dela.

Num concerto na Praça do Município a ver o António Zambujo lá estava a Luísa Sobral a cantar e numa performance extraordinária fez um dueto espectacular.

Com o humor nas palavras que trocou com Zambujo, arrebatou-me.

Fiquei fã, comprei o cd e ouvi como se não houvesse amanhã.

Quando o amanhã chegou ficou o cd perdido entre carros.

Até que chegou o Salvador, o irmão Sobral, fui ao Youtube e convenci-me.

Era ganhador, o Salvador.

Podem dizer o que quiserem em caixas de comentários, mas aqui na minha Ruteoria o Salvador e a Luísa Sobral são diferentes, têm um espírito original, são sóbrios, honestos cantam com grande emoção.

Vivam os manos Sobral.

Salvador, redentor e …

Encantador.

 

Toni Erdmann

Março 6, 2017

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Lá fui perder-me na sala do cinema. Toni Erdmann.

Ainda na bilheteira estava convencida que este filme tinha ganho o Óscar de melhor filme estrangeiro, mas não, foi O Apartamento, dizia-me com a assertividade habitual, a minha cúmplice da sétima arte.

Levava no espírito uma ideia, ia gostar de ver o filme.

Metáforas à parte, já não tenho grande paciência para as figuras de estilo, prefiro sentar-me a saborear o estilo da figura, Ines Conradi (Sandra Huller) e Winfried (Peter Simonischek) apresentam à bruta o contraste entre a besta e o bestial.

Trágico, confesso em Ruteoria, a atracção pela beleza do monstro.

Está tudo tão certo, para quem não cuida em ir ao Google, faço a devida chamada de atenção para Maren Aden, que co-produziu as mil e uma noites de Miguel Gomes.

Voltou e está perdoada.

Maren Aden, fez tudo para me fazer feliz, e conseguiu.

Filosofias à parte a felicidade está em viver a vida sem restrições de hipócritas moralidades.

Nesta verosimilhança senti-me traída pela utopia, afinal a realidade é o ideal que quero perseguir.

Nua.

É absurdo, mas afinal o falso é verdadeiro, o fingido genuíno, o disfarce, a mentira, a piada, o gesto, a traquinice, a ligeireza com que se põe e tira uma dentadura postiça, tudo são recursos humanos para as relações na vida.

Moral da história:

Qual moral?

Iluminações de uma Mulher Livre

Fevereiro 26, 2017

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Desta feita, os livros.

Iluminações de uma Mulher Livre é um título, uma espécie de emblema literário que só alguns livros conseguem suportar.

Samuel Pimenta é um autor premiado, um homem de grande mestria na conjugação das palavras, um artista criador de obras de arte.

Iluminações de uma Mulher Livre é um tratado sobre a humanidade. Não ousaria, sequer, fazer uma crítica literária, na minha Ruteoria, a experiência da leitura que esta obra me ofereceu, excedeu o género.

Como se cada palavra fosse escrita para mim.

Senti o cheiro, vi a cor da terra, não foi Isabel, a protagonista que me ficou na cabeça, eu é que entrei na cabeça de Isabel.

Tenho que confessar que já li muitos livros, conheço variadíssimos autores, tenho a experiência da leitura como parte de uma experiência de vida.

Eu sou os livros que li, não tenham dúvidas.

Mas Samuel Pimenta só pode ser ilusionista, naquela magia de às páginas tantas me ir convidando, destruindo as barreiras:

eu? fui escavando trincheiras, atirando-me para a vala comum.

Dirão os comentadores credenciados que é um autor de intervenção e uma obra feminista, quererão os partidos políticos conotá-lo com características que sirvam agendas reivindicativas, até por ventura movimentos religiosos vão virar o pagão testemunho num qualquer mandamento ou testamento.

É arte, estúpidos.

Quem melhor que os artistas para representar, retratar, transformar ?

Atirem a primeira pedra, pecadores.

Porque Samuel Pimenta agarra uma a uma, cada uma dessas pedras, para construir esta obra monumental.

Não querendo revelar nem desvendar, vou, embalando, cantarolando aos meus leitores: esta é mais bela reflexão artística contemporânea sobre o ser e o humano.

Acreditem.

Iluminações de uma Mulher Livre é a gruta de Olimpo.

O grito limpo, livre.

Livro, Samuel.

 

 

La La Land

Janeiro 30, 2017

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Não sou grande fã de musicais, mas gosto de ver filmes, mesmo quando são musicais.

La La Land é um musical a não perder.

Reflecte o momento que vivemos. Uma completa musica dançada entre o sonho e a realidade.

Déjà vu que ainda não tinha visto no entretenimento de salão.

Na minha Ruteoria empírica a sala nem tugiu nem mugiu, parou a respiração para ver e ouvir a melodia de amor, ficou um palmo acima do chão, out of the blue.

Se este filme fosse uma cor, era azul. Todos os tons de azul.

Numa velocidade frenética pintou a tela à pistola, sem um único borrão.

Estranhei a limpeza e destreza, não gosto de performances prefeitas fabricadas na pós-produção. Notei tudo do princípio ao fim.

Pode ser precipitado, mas mesmo com tudo o que não gostei em La La Land, talvez até por isso, posso ter-me tornado numa fã incondicional do género.

Estar e não estar na ficção.

Eis a minha sensação.

Manchester by the sea

Janeiro 25, 2017

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Fui à pesca.

Nas salas de cinema pode sempre acontecer o inesperado.

Manchester by the sea, sei agora, nomeado para melhor filme, é imprevisível.

Apesar de estarmos lá, afinal estamos permanentemente em desassossego.

Houvesse porventura um filme da minha vida, como tantas vezes acreditei, então Manchester by the sea destruiu essa fé.

Porquê?

São ilimitadas as possibilidades da minha vida.

Já tantas vezes, aqui em Ruteorias, discorri sobre a capacidade mágica e artística da tela se transformar em espelho onde vemos projectadas imagens da nossa vida.

O que aconteceu neste filme foi mais do que isso.

Foi assustador.

A história da minha vida não aconteceu exactamente, tal igual, eu sempre a pensei.

Posso exagerar tudo e abusar do overwriting e mesmo assim fico aquém do além que Kenneth Lonergan me proporcionou.

Foi uma regra de três simples.

Casey Affleck está para o filme assim como eu estou para x.

Vão ver o filme e resolvam:

A nossa própria vida é uma incógnita.

Kusturica

Janeiro 5, 2017

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E ao terceiro dia conforme as escrituras subi Na Via Láctea (On the milky Road). Como costureira à moda antiga vou alinhavar antes da primeira prova.

Logo no título a referência a Buñuel. Até no tempo Kusturica evoca o mestre surrealista.

Não percebo nada de filmes, a minha arte é a costura.

Vi, no princípio do filme, pano para mangas! Mas depois com aquele esplêndido tecido feito de rico fio, caiu a nódoa e acabou tudo num belo emaranhado de desperdício.

Se é exagero meu?

Talvez seja, mas como já ando nisto há tempo, já não pego em qualquer peça.

Na minha Ruteoria Kusturica começou muito bem o filme e depois perdeu a mão, e perdeu-a tanto que nunca mais a agarrou.

Gostei muito de ter visto o filme, ponto assente!

Não tenho a certeza da escolha de Mónica Bellucci, levei o filme todo nesta dúvida, se era essa a intenção do realizador, conseguiu!

Monica Bellucci não é uma actriz, Emir Kusturica não é um actor.

Alinhavo dado!

Mas então, teve essa vantagem à custa de ter perdido a espectadora da surreal ficção.

Prova feita.

Dou assim ponto por ponto vários rasgos de brilhantes cenas, o relógio, a campeã de ginástica, os ovos, o porco, o falcão, as cobras e os demais animais que com música foram orquestrando uma estapafurdice total.

Mas planos de génio só os gansos a aterrar na banheira de sangue e a noiva a correr pelo prado com o leite derramado.

Duas cenas não chegam para fazer um filme, nem para uma curta ou sequer para um spot publicitário.

Segunda Prova.

Não vou bater muito mais no mesmo ponto, nem posso dizer que esperava mais de Kusturica, mas queria uma longa metragem.

On The milky Road serve para separar o trigo do joio.

Não preciso de ir tão longe, não é genial, nem tão pouco original, Kusturica tornou-se comercial.

Choveu no molhado e nem sequer chorou no leite derramado, shame on him!

Eu que faço por medida, renovo a minha admiração pela alta costura, genial o clássico corte de Buñuel ou o contemporâneo de Almodovar

E a costura já vai longa e preciso rematar.

Consigo perdoar quase todas as falhas aos artistas, custa-me, Kusturica, a falta de humildade.

Fato acabado.

2017 novo

Janeiro 1, 2017

E assim terminou o último dia de 2016, natural.

Se a natureza soubesse que dividíamos o tempo em anos, os anos em meses e os messes em dias.

Que para cúmulo artificial ainda cortássemos os dias em horas e as horas em minutos.

Riria de nós cada onda que leva o seu tempo a chegar à praia sem cumprir horário nem picar o ponto.

O sol, a estrela mor, que cumpre sempre horas extraordinárias fizesse sempre os dias iguais e nem se fazia notar, quanto mais encantar.

Soubessem os passarinhos dos nossos rígidos horários e nem conseguiriam rasar em voos matinais.

Parem o tique e o tac, sintam a pulsação animal, peço aos senhores Deuses da natureza humana!

Que a força de cada momento natural permaneça em nós ardente sem o fogo do artifício.

Na Ruteoria não há princípio nem fim, cada dia circula livre.

Sem fazer de conta.

Viva

mais tempo!

Pré-natal

Dezembro 24, 2016

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Diz que é Natal. Aqui na Ruteorias celebra-se o presente nas palhinhas com o menino sentado.

Do fardo, prefiro a palha.

Saibam que o primeiro presépio foi montado pelo S. Francisco de Assis, ao vivo e a cores, com pessoas e animais.

Adoro ver presépios, este ano fui às Amoreiras, subi a nave na escadaria principal.

Aterrei na rebeldia de criança, fascinada pela cidade figurada, tudo a trabalhar naquela cidade tão distante.

Contraste enorme com o circo comercial do consumismo moderno.

Embrulhem.

Só me apetece roubar ao espaço cada peça daquele tempo, até ao lago atirei com moedas para que comprassem os meus desejos.

Sim, veio o espírito natalício e concedeu-me o artifício.

E como nos contos de Natal, inverteram-se os papeis, apareceu um bebé verdadeiro, e foi ali naquele degrau que eu pressenti o Natal

Feliz.


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