Teatro

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Dois homens todos nus.

Brilhante interpretação deste texto escrito no original por Sébastien Thiéry.

Miguel Guilherme esteve no seu melhor, no ensaio solidário.

Procurem, os meus leitores, saber do que trata a peça e vão lá ao Teatro assistir a um cocktail de géneros muito bem esgalhado.

Não se ficou o autor pela farsa, tão nosso conhecido género em toda a filmografia, aliás, Miguel Guilherme é o actor que ousou ser Anastácio de António Silva.

Aqui ele consegue, como sempre, uma personagem provável, para o absurdo da comédia de situação criada nesta complexa peça.

Na minha Ruteoria somos levados pela mão numa visita guiada ao itinerário moralista/burguês da sexualidade.

É brilhante! No Villaret.

Já numa outra sala, continuando a visita pela sexualidade, no Teatro Nacional D. Maria II, fui ver um outro “ensaio”, de Mónica Calle.

Tinha muitos corpos nus despidos de personagem, não querendo estender a todo o elenco, vou focar-me na Mónica Calle:

Ensaio para uma cartografia tinha tudo para ser uma performance, falhou em quase tudo.

O discurso no princípio da peça, não foi um tiro no pé.

Foi um suicídio! Digo mais.

Foi um homicídio seguido de suicídio, um crime.

Um criador que explica a sua obra a priori retira a liberdade ao espectador, é um “mestre ignorante”.

Na minha experiência pessoal, de “espectadora emancipada”, esta peça não me engajou, não serviu portanto o propósito da arte. Não estabeleceu uma ligação.

Mónica Calle quebrou essa possibilidade, ofendeu até a sua  primeira referência, Ida Rubinstein.

Se me queria seduzir, como espectador, pecou por excesso.

Se me queria conquistar como mulher pecou por defeito.

É um espectáculo com pormenores que até poderiam ser interessantes do ponto de vista artístico, mas que por culpa da cabeça perturbada de Mónica Calle, transformaram-se em pormaiores aborrecidos e difíceis de aceitar.

Esta obsessão foi compulsiva, na repetição destruiu aquilo que Bolero de Ravel criou com originalidade – o incansável!

Sinto contudo uma certa simpatia por quase todas as actrizes em palco cuja ética e performance serviram a arte.

Merda

 

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