Banda Sonora

Março 19, 2018

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Banda Sonora de Ricardo Neves-Neves e Filipe Raposo devolveu-me o orgulho ser portuguesa e viver em Portugal.

É um espectáculo brutal. No verdadeiro sentido da palavra e não na muleta que agora é uso e costume.

Remete-nos para os recantos das florestas encantadas. Sim e cantadas.

É de um humor sublime, inspirado naquele conceito de estética assustador.

Grotesco.

Os três naipes em palco vão-nos acariciando o medo, provocam-nos, desfazendo o tempo e a nossa quantidade. Porque todos nós somos vários e somos todos com a natureza.

Banda Sonora é talvez uma das melhores das criações artísticas que experimentei na vida.

Dançar com as árvores????? Único e imemorável.

Mas isso é uma Ruteoria num exercício de memória curta, de alguém que está em si mesmado, espantado.

Que ninguém se atreva a classificar esta peça como tragicomédia, peço aos deuses das críticas. Fiquem muito atentos a Ricardo Neves-Neves.

É uma obra de arte completa, perfeita.

É mesmo, a Banda Sonora da minha vida.

Bravo.

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Cativo

Março 17, 2018

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Conhecem bem a minha ligação a Paulo Bragança, fui ontem ao lançamento do seu novo EP, já ele cantava quando cheguei.

Lá do Olimpo descalço onde tantas vezes encantou, voltou para pisar os palcos e outra vez ser porta estandarte de um espírito punk, irreverente, existente, insistente.

Sempre com o lenço na mão, desenhou no ar sons alternativos. Agora com os pés nus enfiados numas  Docs, mas as pernas livres no kilt, Paulo Bragança cumpre a revolta, na voz, na dança, na imagem, na palavra e no movimento.

Não vai ser demais repetir que fui vê-lo a Brooklyn em Nova York, lançado pelo David Byrne, numa igreja gótica espectacular.

Quem lá esteve, terá ficado por lá…

Fado, fiquei.

Paulo Bragança reúne-me, convoca-me sem medo, passando-me de Blake a Cesariny, de Al Berto a Herberto, leva-me a Pessoa para me entregar a Natália. Numa orgia canibal, retiro de mim a carne, resto-me mortal.

ELE é sempre mais do que um espelho, aquele artista que me eleva a um outro tempo, num outro espaço.

Não é fanatismo. Pisco-te o olho.Nem fetiche. Pisco mais uma vez.

É um lugar cativo.

Como cativo foi aquele gesto de género, gémeo de uma coincidência  destinada, despejada, assim à bruta, naquela calçada do Chiado.

Soubesses, tu?

Fugia, eu!

The Swimming Pool Party

Fevereiro 22, 2018

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Quando vamos ao teatro, estamos à espera de nos surpreender. Nem sempre acontece.

A surpresa, digo.

Sabemos ao que vamos, não vamos virgens, entramos sempre carregados, referências chamam os críticos, cultura referem os intelectuais, experiências dizem os sociólogos, traumas aventam os psicólogos, and so on por aí fora.

Nesta festa andei a fazer piscinas, tal a riqueza da encenação.

O texto é bom, mas imagino que se alguém estivesse sentado na borda a ler ainda que numa leitura encenada, eu teria andado a navegar na maionese.

Assim, nesta encenação de Mónica Garnel elevei-me à arte, houve natação sincronizada, um híbrido de teatro que não sendo um musical, nem dança, nem ópera, foi um espectáculo completo perfeito em todos os sentidos e com todos os pecados mortais.

A gula no duchesse, a repetição em coro, o crime e o castigo, fizeram-me a folha na sala.

Rendi-me a todos e cada um dos 7 vícios mortais.

Shame on me, I am in Mónica Calle

Soberbo, confesso.

Real ficção

Fevereiro 13, 2018

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Houve festa no Paço Real.

Vieram comensais de todas as parte do reino, desde o conhecido Tratado de Meetween que não se achavam portugueses e ingleses de elevada disposição para cuidar que houvesse comemoração tão colossal.

BO foi o entretenimento de todos, o bobo da corte tocou baixo no tom, mas alta foi a sua fidelidade.

Todos lhe prestaram vassalagem, houve baile com coreografias antigas e dançou-se tap and shake no salão de baile.

Tal como no seriado não posso ser spoiler, mas sim esteve presente a celebridade do momento.

A distância da classe vingou e não se pode contar o que por lá se passou.

Dos súbditos falou-se com respeito, que a responsabilidade não é para afectos.

Chegou o papiro com revelações antigas sobre a armada e outras forças terrestres.

Tudo baralhado e bem distribuído foi uma festa de arromba.

A Rosa dançou e encantou ao estilo de D. José, ouviram-se cantigas de amigo e cantigas de amor.

E quando foi hora de ir apanhar as canas, Sua Alteza Real retirou-se.

Sumptuoso, estrondoso, retumbante, escrevam para memória futura:

Somos rosas, senhor!

O meu belo Sol interior

Dezembro 30, 2017

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Dou por mim com uma mania que se tem acentuado nos últimos filmes.

Dá-me um síndrome de directora de casting.

Explico.

Começo a ver as várias actrizes a desempenhar os diferentes papéis.

Neste caso, descartei logo Isabelle Huppert, mas não me perguntem porquê? só via a Júlia Roberts para não falar da Sharon Stone que certamente lhe assentaria muito bem.

Juliette Binoche dá corpo ao manifesto – o amor.

Não é só nos diálogos, é nos gestos, nos silêncios e sobretudo no corpo, o olhar a voz desta personagem, Isabelle, somos nós.

São eles, os amantes dela.

A mais bela certeza do amor, de não saber o que dizer, quando, onde e porquê…como se cada detalhe fosse um acaso in progress.

Mas na minha Ruteoria a estrela é Claire Denis, a realizadora que me deixou desconfortável, desconstruída e perdida: “open”.

Depois deste sol, o meu belo interior.

Aceito toda e qualquer ousadia cinematográfica, erótico/pornográfica, porque,

Denis não adaptou os fragmentos de um discurso amoroso de Barthes,

Claire Denis, realizou-os.

A casa da sorte

Dezembro 28, 2017

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Temos sempre como garantido que as nossa jóias são de valor.

Começou assim a narrativa à lapa.

Os nossos amigos são os verdadeiros diamantes, brutos, é brutal.

Começou ao som do que há de melhor, sem vergonha fomos dançando em coreografia de batata assada.

Reunido o grupo, demos às mãos as graças. Rimos a bandeiras despregadas.

Abusámos umas das amizades das outras.

Naquele condomínio tudo é preciso, necessário e rigoroso.

Todas diferentes, cada vez mais iguais, fomos libertando as asas no recreio sem receio, com desapego no tópico, procurámos amores perdidos em zonas de conforto, seguindo estrelas marcadas.

Foi uma reunião magnífica. Brincámos aos príncipes e princesas e até comemos tudo cortado.

Misturaram-se as tintas, e não nos caíram os parentes na lama.

Nesta rede social, sem estudos, mas com tecnologia de ponta, fomos desenhando a grupeta improvável.

A Rosa agradecida, já deu o sinal, fica em lista de espera até a próxima casa vagar.

E quando chegou a hora de partir, foi a grande jogada,

desceu no tabuleiro em grande estilo, com as quatro damas do baralho.

Estas Rainhas, suas altezas, são reais!

 

Figueira

Dezembro 26, 2017

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Ando enferrujada da pluma. Sim houve festa no quartel, reuniu-se a tropa e marchou para sul.

Foi Natal, passou mais um a somar ao último.

Os soldadinhos cresceram tanto que olhando para os meus galões já nem consigo puxar.

Ainda conseguiu o mano repetir a façanha e com tiro certeiro acertar na tal lógica do gene.

A árvore, sempre a árvore!

Uma figueira que outrora já foi também a nossa casa.

Agora aqueceu-me as mãos, quando a plantei, cavei fundo o buraco para que cresça bem e saudável.

Qualquer dia lá pelo jardim são só arvores plantadas por mim.

Dizem que é preciso, fazer um filho, escrever um livro e plantar uma.

Já tá.

Venha o Verão, depois da Primavera, e seguidamente o Outono, antes do Inverno.

Uma teoria de tempo ou um tempo de uma teoria?

 

Fig tree

I’m rusty with the pen. Yes, there was a party in the barracks, the troops gathered and marched south.

It was Christmas, spent another to add to the last.

The soldiers grew so much that looking for my gallons already can not even pull them.

My bro still managed to repeat the feat and with accurate shot hit the logic of the gene.

The tree, always the tree!

A fig tree that once was also our home.

Now warmed my hands, when planted, dug deep the hole to grow well and healthy.

Any day there are only trees in the garden planted by me.

They say you need to make a child, write a book and plant a tree.

That ‘s it.

Come the summer after the spring, and then the autumn before the winter.

A theory of time or a time of a theory?

120 batidas por minuto

Dezembro 20, 2017

Unknown

Mais uma investida no cinema. 120 batidas por minuto é um filme brutal, bestial. Mostra a bela e o monstro da vida. A violência está sempre no outro lado.

É um livro de instruções do activismo, sobre a urgência de cada acção, um manual perfeito de boa práticas.

Sempre o tempo, a conjugar-nos na aproximação a cada espaço emocional, a dor, a paixão, até o peso dos corpos, a leveza do ser. A natureza.

Em cada arremesso de sangue falso, uma verdadeira mancha humana.

O movimento, ACT UP, agrupando forças distintas num momento comum.

Os uns e os outros, a minoria amorfa dos decisores na sua lenta compreensão de uma realidade veloz, voraz.

Que a história não se repita, parece ser uma espécie de voz off na nossa cabeça, cada olhar, gesto, grito, apito leva-nos para um campo concentrado de eficácia extrema.

Ficamos em cada uma e em todas as 120 batidas, mais vivos, ligados, activos, como se cada minuto de cada um de nós contasse para cada minuto de nós todos.

Estranho?

Sim, o silêncio não pode ser um opção.

 

One more thriller in the movies. 120 beats per minute is a brutal, bestial movie. It shows the beauty and the monster of life. Violence is always on the other side.
It is an activism instruction book, about the urgency of every action, a perfect manual of good practice.
Always the time, to conjugate us in the approach to each emotional space, the pain, the passion, even the weight of the bodies, the lightness of the being. The nature.
In every false bloodshot, a real human stain.
The movement, ACT UP, grouping distinct forces in a common moment.
The one and the other, the amorphous minority of decision makers in their slow realization of a fast, voracious reality.
That the story does not repeat itself, seems to be a kind of voice off in our head, every look, gesture, cry, whistle takes us to a concentrated field of extreme effectiveness.
We stayed in each and every 120 beats, more alive, connected, active, as if every minute of each of us counted for every minute of us all.
Weird?
Yes, silence can not be an option.

queen

Dezembro 7, 2017

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Já tinha deixado esta mesa de jogo, mas como dizemos os viciados, somos jogadores para sempre.

Não voltei sob a pressão das redes sociais, vim de livre e espontânea vontade.

Olho em volta e depois para a minha mão:

– Só me apetece fazer bluff.

Como se tivesse um grande jogo, nem às, nem rei, nem cavalheiro.

Tenho apenas a figura de uma dama, um três de paus e quatro de ouros.

Aposto tudo. Atiro as fichas todas para cima da mesa.

E é neste movimento libertador que me denuncio.

Overacting é a ganância do artista, cedo.

Perco tudo, lanço as cartas para a mesa e mando tudo para o baralho!

Voltei

*aceitam-se encomendas, reclamações e outras sugestões

Salvador Sobral

Maio 15, 2017

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Muito tem acontecido lá fora, no mundo real.

Pouco tempo tem havido para vir aqui plantar e procriar.

Pedem-me os cultores para tecer considerações sobre o Sobral.

Fácil.

Como a carneirada rendi-me, sempre na primeira fila, primeiro para aplaudir e depois para criticar.

Quer o mundo em rede que sejamos rápidos, as caixas e os comentários, são como duelos – mortais.

Matar ou morrer.

Amar, insistiram os Sobral.

Aqui na Ruteorias respeitamos a natureza, cultivamos conforme o tempo.

Tem sido um festival de opiniões, uma praga de ideias e soluções, hoje, qualquer fraseado engraçado, como ervas daninhas, facilmente se torna viral.

Criativo, original, genuíno.

Simples, Portugal:

Salvador Sobral, eu sou.


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